7 de maio de 2011

O autismo, a Terapia Ocupacional e muito amor

Olhando para trás, trinta anos depois do meu primeiro contato com o autismo, quanta coisa mudou, quantos sentimentos foram transformados em experiência e quanto ainda me sinto jovem. Jovem sim, que ainda busca caminhos com entusiasmo e empolgação por aprender  e descobrir trilhas com o amadurecimento da idade.
 Escolhi o autismo antes mesmo de escolher ser terapeuta ocupacional. Fui trabalhar numa escola de ensino especializado,l fui coordenadora por 20 anos. Lá além de crianças e jovens com autismo também convivi com a deficiência intelectual e outras síndromes. Paralelamente atendia crianças com paralisia cerebral numa clínica em terapias individuais de 40 minutos.
Por característica pessoal e por ter tido o privilégio de estar ao lado da profa. Nylse Cunha que trouxe a Brinquedoteca ao Brasil e defende o Brincar como o principal recurso para a aprendizagem, eu me tornei uma profissional extremamente lúdica e uma terapeuta ocupacional apaixonada pelo brincar e fazer rir.
É importante enfatizar que a abordagem centrada no cliente, seguindo o quadro de referência humanista da TO, é a que escolhi como alicerce de minha atuação profissional.
Esse texto é a expressão de uma prática amorosa profunda que agora se encontra em um momento reflexivo.  A emoção fica oculta por restrição da palavra escrita.
Em 2006, resolvi mergulhar e dedicar todo o meu tempo ao Autismo, ou melhor, à criança que está autista e sua família que tem garra e esperança, pois o autismo é tratável.  AH! Como tudo mudou e isso é maravilhoso.
Nas sessões a mudança começa pelo tempo de terapia, não há condições de construir uma interação com a criança em apenas 40 minutos e nem uma atmosfera lúdica e divertida. Se respeitarmos o ritmo da criança e o seu tempo para se preparar para interagir, podemos perceber que muitas vezes, quando estamos sentindo que o ambiente está ficando favorável e surge um contato de olho, um sorriso ou um toque.....a terapia acaba! E outra criança está a sua espera.  A troca da quantidade de pacientes pela qualidade da terapia foi fundamental para os resultados positivos.
O terapeuta atua como um facilitador, oferecendo oportunidades, capacitando a criança a explorar pensamentos e sentimentos em um ambiente seguro e provendo recursos que a criança identifique como necessários. São importantes o desenvolvimento da auto valorização e a sensação de controle da situação.
A criança é encorajada a dirigir sua própria terapia, as brincadeiras e atividades são escolhidas por ela e devem ter significado para ela.
Nessa abordagem é fundamental que o terapeuta não exerça poder sobre a criança, e é preciso assegurar que o controle será dado á ela, mesmo ás custas de uma lenta tomada de decisão. Novamente como facilitador, o terapeuta promove oportunidades e informações para ajudar a criança decidir aquilo que deseja e então organizar os recursos ou intervenção para que isso seja alcançado.
Outra e muito importante mudança que percebo nos dias de hoje é a participação dos pais nesse processo de tratamento de seus filhos.
Não são mais os profissionais que estão com o saber, o saber está cada vez mais com as famílias que nos oferecem o genuíno dossiê de como seu filho aprende, como seu filho sente, como seu filho reage, como seu filho se diverte.
E cabe a nós profissionais adiar o julgamento e pensar junto, interpretar esses dados, associar  com o nosso conhecimento e experiência e desenvolver um programa de tratamento criativo, dinâmico,  divertido e viável para cada família e  não impor planejamentos engessados.
Na TO, temos tanto a ensinar mas se a criança não estiver interessada, nada teremos...
Estabelecer os desafios, os objetivos e as ações e embarcar nessa viajem de amar incondicionalmente, amar é uma viajem a ser feita com alguém na qual, ao mesmo tempo em que curtimos essa entrega, desvendamos os mistérios que ela nos apresenta a cada momento.



SoniaFalcaoSonia Aparecida Falcão é terapeuta ocupacional (TO), especialista em Saúde Mental da Criança e do Adolescente, atua numa abordagem relacional humanista, fundou o Programa Realizza com “Férias mais Divertidas” e “Autismo Encanta". Coordena MBA em Gestão de Pessoas, telepresencial da rede LFG/Anhanguera. E-mail:  autismoencanta@gmail.com

2 comentários:

João Ludugero disse...

Por gentileza,passe lá no meu blog.
Se gostar, me persiga. Felicidades!
Abraços,
João.
www.ludugero.blogspot.com

F3RRAZ disse...

Tenho uma amiga que descobriu que a filha é autista.
Seguindo também!