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7 de junho de 2011

Belle, artista além do autismo

6 de junho de 2011
Acrilica sobre tela 2 Belle 450x319 Belle, artista além do autismo fotos
“O Autismo não é algo que uma pessoa tenha, ou uma concha na qual ela esteja presa. Não há nenhuma criança normal escondida por trás do Autismo. O Autismo é um jeito de ser, é intrínseco, colore toda experiência, toda sensação, percepção, pensamento, emoção e encontro, todos os aspectos da existência. Não é possível separar o Autismo da pessoa. E se o fosse, a pessoa que você deixaria não seria a mesma com a qual você começou.” – Jim Sinclair – autista, 55 anos
Conheci o Trabalho de Belle Feier, hoje com 17 anos e diagnosticada autista aos 4, por casualidade, através de uma amiga cujo filho também é autista. Mães como minha amiga Cris e Kika, a mãe de Belle, que não têm vergonha e sim orgulho e buscam a inclusão de seus filhos na sociedade, permitem que possamos conhecer belas histórias de vida e de arte.
Belle desde pequena, mesmo antes de ser diagnosticada autista, gostava de desenhar. Sua única diferença nesse ponto comparada a outras crianças é que gostava de desenhar junto com seu pai sempre os mesmos desenhos, a rotina e repetição de padrão são características da criança autista.
Com o passar dos anos Belle não só desenhava, mas começou a pintar graças ao apoio de Valéria Llacer, professora de informática na APAE e também mãe de uma criança autista. Valéria ofereceu tela e tintas a Belle para que pintasse e levou uma tela pintada por Belle para um congresso europeu sobre arte autista. A tela de Belle ficou 2 anos sendo exibida na Europa em instituições ligadas ao autismo como maneira de difundir a idéia da arte no apoio e comunicação com autistas. Suas telas são caprichosas, muito coloridas, e com muitos detalhes. A exposição mostrou a beleza que ela pode produzir, como a arte produzida por ela é bela e equivalente à produzida por outras crianças com talento artístico.
Acrilica sobre tela 3 Belle 450x337 Belle, artista além do autismo fotos
Em Florianópolis, onde mora Belle, a psicopegadoga Sandra Lamb conseguiu o apoio de um restaurante da rota gastronômica de Florianópolis e Belle fez sua primeira exposição com 10 quadros, todos foram vendidos, fez uma segunda exposição com 15 telas e novamente vendeu tudo.
Não sou um grande crítico de arte, mas analisei o trabalho da Belle e facilmente a categorizaria como uma pintora Naïf sem denotar qualquer distúrbio. O fato de Belle ser autista só valoriza o seu trabalho porque além da qualidade estética é uma prova à sociedade que iniciativas como APAE, apoio de familiares e amigos, que respeitando limites e individualidades podem integrar crianças e adolescentes com autismo à sociedade. À Belle e sua arte desejo sorte e espero, agora que a conheço, poder estar presente em seu próximo vernissage.
Belle Vernissage 355x450 Belle, artista além do autismo fotos Belle pintando 450x337 Belle, artista além do autismo fotos
A jovem artista Belle Feier
por Fernando Figueiredo

23 de maio de 2011

CEGOS - Contra o Fechamento do Benjamin Constant !!!‏

Assinem, por favor, com urgência.

é preocupante, aqui no Rio já tentaram contra os surdos, e agora com os cegos...
Assunto: Contra o Fechamento do IBC - Importante, não ignore!!

Como poucos sabem, o MEC decidiu fechar até o final do ano o Instituto Benjamin Constant, uma Escola de Ensino Regular Especializada na Educação de Cegos, com turmas que vão desde a Estimulação Precoce até o 9º ano (antiga 8ª série) do Ensino Fundamental, e com atendimento especializado realizado com os reabilitandos (videntes - pessoas que enxergam - que ficaram cegos por alguma razão).

O fato saiu no jornal O Globo inclusive, mas não chegou a ser a grande notícia da semana, pois poucos sabem o significado da instituição para o país. Não somente querem fechá-lo, mas também ao INES (para surdos) e ir aos poucos acabando com as escolas especializadas em educação especial, qualquer que seja a necessidade.

Nenhum problema haveria nesse projeto se nossas escolas regulares tivessem a estrutura adequada a esse tipo de educação inclusiva que tanto se fala nesse país, mas só fica na teoria. Os alunos especiais sofrem preconceitos dos outros alunos e acabam sendo deixados de lado por professores que não são capacitados a atendê-los. Um aluno especial em uma turma regular dificilmente tem a atenção necessária para desenvolver-se no mesmo ritmo que os demais alunos de sua classe e o método de ensino tem de ser diferenciado.

Em nosso país o sistema de ensino não consegue suprir as necessidades dos alunos regulares, quem dirá dos especiais. Cansamos de ver escolas com falta de material, falta de professores e que carecem de meios para que se tenha controle dos alunos e lhes ensinem valores morais já esquecidos na sociedade atual, e ainda entra em cena o "bullying" (palavra tão usada ultimamente) que emerge desta impotência moral iniciada no ambiente escolar.

Como uma criança ou adolescente especial vai conseguir sobreviver no ambiente mais hostil conhecido pelo homem: a escola? Quem tem filho, irmão mais novo, é professor ou de alguma forma convive com um grupo de crianças ou adolescentes (e se você não se aplica as condições, pense quando era você uma criança ou adolescente que frequentava a escola) sabe que eles são "cruéis" e não perdoam qualquer tipo de coisa diferente do seu radar de certo e errado, ainda em formação.

No Instituto, as crianças se sentem parte de um todo, não sofrem preconceitos mas saem de lá prontas para enfrentá-los, prontos para enfrentar nosso mundo de videntes egoístas. Lá elas aprendem a andar sem cair ou bater em objetos, aprendem a comer, têm esportes específicos, desde pequeninos são estimulados. Alguns dos alunos inclusive passam a semana no Instituto, são alunos internos do Benjamin constant. Alguns alunos são Internos porque os pais não têm condições de levar e buscar, seja por dificuldades financeiras ou de trabalho (as aulas são em tempo integral). Com cuidadores para auxiliá-los a semana toda, dormitórios estruturados, refeições bem preparadas pelas "tias da cozinha" e elaboradas por nutricionistas.

Algumas crianças só têm na vida o Instituto. A maioria das crianças não são somente cegas, algumas têm doenças degenerativas , ou seja, a doença vai piorando a um estado...que...enfim. No IBC é onde elas são aceitas e têm assistência de profissionais capacitados.  Visitem o Instituto. Estar presente e até mesmo fazer trabalho voluntário lá pode mudar o jeito que temos de ver a vida, e com sorte nos tornar pessoas melhores.

Geralmente só percebemos diferentes situações fora de nosso círculo social quando nos afeta de alguma maneira. Quem tem alguém especial por perto sabe das dificuldades que enfrentamos, bate de frente com o preconceito, a desigualdade e o descaso que cai sobre eles.

Meu principal objetivo  conscientizar as pessoas, principalmente os cariocas, da importância desse centro de referência para cegos de todo o Brasil. E é um motivo de orgulho para nós termos tal instituição que capacita tão bem seus alunos. Vamos lutar contra esse absurdo de fechar o IBC, se quiser colaborar agradecemos muito.

Abaixo assinado:
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N8365


O Instituto Benjamin Constant fica na Av. Pasteur - Urca (Próximo a Botafogo, na calçada do campus Praia Vermelha da UFRJ e Unirio) caso queira conhecer ou participar da passeata.

e o site:
http://www.ibc.gov.br/
Postado por Maria Clara



22 de maio de 2011

Diversidade da Arte para Valorizar a Arte da Diversidade


Circulando pelo BRASIL



Diversas formas de expressão artística estão reunidas na Exposição de Arte Muito Especial, uma mostra inédita no Recife que reúne obras de 23 artistas brasileiros com algum tipo de deficiência.


Com curadoria do artista plástico e coordenador do curso de artes visuais da Unigranrio, Alexandre Sá, a exposição apresenta 100 obras distribuídas entre várias técnicas, estilos e linguagens. O público vai conferir trabalhos em videoarte, pintura, escultura, xilogravura e fotografia.


A iniciativa é do Instituto Muito Especial, entidade carioca que trabalha a inclusão social e profissional das pessoas com deficiência e ajuda a preparar as organizações a lidarem com a diversidade, e tem patrocínio da Celpe e Neoenergia, e apoio do Ministério da Cultura e da Lei de Incentivo à Cultura.



Serviço



Exposição Muito Especial
Sala Cícero Dias - Museu do Estado
Avenida Rui Barbosa, 960, Graças - Recife
Acesso gratuito
Visitação: Terça a sexta-feira, das 9h às 17h; sábados e domingos, das 14h às 17h
Em cartaz de 19 de maio e 22 de junho


Mais informação: http://ne10.uol.com.br


Imagem: Bira Carvalho/ Divulgação
Texto: NE10

9 de maio de 2011

BULLYING - O LADO NADA CIENTÍFICO, PORÉM MUITO PESSOAL, DA QUESTÃO...

Família ,Tarcila do Amaral




Nada de meias palavras, mas palavras muito inteiras e cheias de simplicidade, porque a VIDA é simples e as nossas incapacidades acabam por complicar tudo.
Dentro do meu empirismo e do meu não saber profundo, mesmo para uma pessoa que esteve dentro das salas de aulas durante mais de 20 anos, não concordo com determinadas denominações desta tão falada MODERNIDADE. O erro já começa aí, pois todo e qualquer tempo tem suas modernidades de acordo com sua época.

Tenho 43 anos. Sim, felizes, bem vividos! A vida é generosa comigo... às vezes cruel! Mas ela é assim com todos. É como uma mãe primorosa que dentro da sua inteligência e sabedoria MORDE e ASSOPRA.

 
Em relato rápido vou descrever como foi minha trajetória escolar.

Ah! Não foi das melhores, mas eu achava que era!
Entrei na escola com pouco mais de cinco anos. Não fiz pré-escola - hoje a tão falada e discutida EDUCAÇÃO INFANTIL. Fui direto para a sala da Dona Nilza que ministrava as aulas da primeira série. Eu usava uma telelupa, que talvez hoje, por conta da MODERNIDADE, não exista mais.
Era uma lente corretora que mais parecia uma luneta comprida em meus olhos. Não sei se por instinto, ou por sensibilidade ou por uma questão de profunda humanidade, a minha MESTRA foi a mais preciosa das professoras, pois sem saber nada de EDUCAÇÃO ESPECIAL, sem saber de DIFERENÇAS ou DEFICIÊNCIAS alfabetizou-me da forma mais suave e eficaz que podia se ter.

Foram muitas adaptações a textos, a tamanhos de letras, incansável atenção da minha mãe, senhora simples, que nada sabia, mas tudo sentia em relação a sua cria...

Éramos todos crianças e por sermos crianças as necessidades de um tratamento diferente eram percebidas... tudo era algo visível... a carteira escolar bem à frente da lousa, os textos sempre com letras enormes... e, por conta  disso tudo os apelidos começaram a surgir em questão de segundos e correram à escola toda como rastilho de pólvora...

Eu tinha dificuldade em descer escadas, em entrar na fila para a sala de aula, em achar a minha própria sala... daí os epítetos - ceguinha, cegueta, Mister Magoo e por aí iam tantos outros...

Havia dias que eu entrava na brincadeira e procurava um apelido jocoso para colocar em meus colegas também... n'outros saía da escola chateada e ía para casa encontrar o colo da minha mãe ou da avó ou de qualquer um que fosse para superar algo que me doía, mas que depois passava. Afinal, nós éramos crianças e a inocência dominava-nos, sem artimanhas, sem articulações...

Passei por várias fases escolares e, na adolescência, não foi menos dorido, não! Eu continuava com um óculos forte e uma doença degenerativa que me consumia os olhos, mas estava ali, firme e forte.

Passou-se o tempo do colégio e aprendi a defender-me com sabedoria dos sarcasmos e das indiferenças dos colegas, tive ajuda de muitos e empurrões bem fortes de outros... com isso tudo, caminhei.

No meu colegial, hoje o denominado ENSINO MÉDIO, fiz técnico em magistério. Aos 17 anos eu estava formada professora, mas não podia dar aulas por ser menor de idade...  então enquanto esperava fiz um curso técnico em Nutrição e me formei Nutricionista Técnica, também.

Fiz aula de canto, de arte, de culinária... preenchi meu tempo da forma mais saudável que possa existir... 

Aos 18 anos prestei concurso público, passei em terceiro lugar dentro do estado de São Paulo inteiro, não simplesmente dentro de um único município. E fui o orgulho da minha família.

Ingressei bem longe da minha casa, não era tão fácil como é hoje em dia. Comecei em escola rural. Tempos depois consegui uma sala perto de casa e por isso, com o tempo que sobrava, fui fazer faculdade.

E aí, mais crueldade!!!
As pessoas não perdoam. Os apelidos sumiram, mas as atitudes de desprezos e de hostilidades tocavam-me fundo.

Quatro anos que hoje também estão superados e enterrados, sob uma lápide de piedade e compaixão da minha parte.

Passei por muitos BULLYINGS, talvez a vida toda! Mas não havia este termo MODERNO.

Não tinha consciência que era portadora de NECESSIDADES ESPECIAIS ou mesmo que era DEFICIENTE.

Vim saber a pouco tempo, por conta das terminologias MODERNAS.

Aí eu pergunto - Quem determina tais termos? Tais denominações? Um grupo "estudiosos" que na sua maioria nunca tiveram uma pessoa sequer com problemas ao seu lado? Que nunca passaram por situações constrangedoras, mas apenas possuem a teoria, pois a prática é muito diferente?

Bem, mas não é esse o CERNE da questão.

A raiz nervosa é outra! Tantas denominações que, na minha mais descabida opinião, não servem para nada, apenas para criarem mais problemas.

Não fiquei traumatizada pelos apelidos que me colocaram!!!! Eu os superei, porque tive uma FAMÍLIA que não transferiu seus deveres para a escola, mas trabalhou ao lado dela.

Descobri aos 40 anos que era portadora de deficiência visual, afastada das salas de aula por determinação médica!!!! E tenho superado a cada dia, pois tenho pessoas ao meu lado com as mãos sempre estendidas e o coração aberto e não tenho demandado meus problemas e dificuldades para ninguém.

Caminho sem neuras, sem encucações...
Fechei meus ouvidos às TERMINOLOGIAS e às CONDUTAS ESTEREOTIPADAS das CONVENÇÕES SOCIAIS.

Não estou abolindo os grandes avanços científicos, os grandes estudiosos que têm o compromisso de melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas estou clamando pela atuação de algumas entidades que andam falidas ou que, por egoísmo e falta de estrutura, saíram de cena.

É necessário sim, suportes técnicos que venham acrescentar a resolução de problemas sociais que crescem de forma gigantesca, mas é preciso RESGATAR um clã chamado FAMÍLIA.

A FAMÍLIA precisa e tem obrigação de estar presente nas atividades essenciais daqueles que eles, planejando ou não, deram à LUZ.

É preciso a participação efetiva dos PAIS para que não hajam delinquentes e arrogantes jovens, sem limites e sem limitações.

As DEFICIÊNCIAS e os BULLYINGS sempre existiram, talvez com outras denominações, porém nunca se deu tanta importância como agora por conta de uma questão chamada DESCASO FAMILIAR.

Resgatemos a FAMÍLIA e seus DEVERES  e todos os DIREITOS serão garantidos.

Nunca, em tempo algum da história da humanidade, nossas crianças tiveram seus direitos garantidos e amparadas legalmente como nos dias atuais, porém nunca tiveram tão relegadas à própria sorte, frágil sorte, como estão.

Tantos direitos, sem lhes apresentarem seus deveres.

Tantas leis ao lado dos nossos infantes e eles cada vez mais distantes da essência humana.

Sendo assim, não há nada que os protejam. Não há mecanismos que resistam diante de muitos que já existem mas estão desvinculados de ações legítimas.

São apenas mecanismos que vêm para preencher os quadros das profissões, das novas profissões que aparentam uma inutilidade tamanha.

Este é um desabafo! Nada técnico, porém necessário para contrapor às ciências que muito respeito, mas que antes de tudo e depois de mais nada têm que me mostrar suas reais utilidades.


Escrito por Malu
créditos, link aqui.


7 de maio de 2011

O autismo, a Terapia Ocupacional e muito amor

Olhando para trás, trinta anos depois do meu primeiro contato com o autismo, quanta coisa mudou, quantos sentimentos foram transformados em experiência e quanto ainda me sinto jovem. Jovem sim, que ainda busca caminhos com entusiasmo e empolgação por aprender  e descobrir trilhas com o amadurecimento da idade.
 Escolhi o autismo antes mesmo de escolher ser terapeuta ocupacional. Fui trabalhar numa escola de ensino especializado,l fui coordenadora por 20 anos. Lá além de crianças e jovens com autismo também convivi com a deficiência intelectual e outras síndromes. Paralelamente atendia crianças com paralisia cerebral numa clínica em terapias individuais de 40 minutos.
Por característica pessoal e por ter tido o privilégio de estar ao lado da profa. Nylse Cunha que trouxe a Brinquedoteca ao Brasil e defende o Brincar como o principal recurso para a aprendizagem, eu me tornei uma profissional extremamente lúdica e uma terapeuta ocupacional apaixonada pelo brincar e fazer rir.
É importante enfatizar que a abordagem centrada no cliente, seguindo o quadro de referência humanista da TO, é a que escolhi como alicerce de minha atuação profissional.
Esse texto é a expressão de uma prática amorosa profunda que agora se encontra em um momento reflexivo.  A emoção fica oculta por restrição da palavra escrita.
Em 2006, resolvi mergulhar e dedicar todo o meu tempo ao Autismo, ou melhor, à criança que está autista e sua família que tem garra e esperança, pois o autismo é tratável.  AH! Como tudo mudou e isso é maravilhoso.
Nas sessões a mudança começa pelo tempo de terapia, não há condições de construir uma interação com a criança em apenas 40 minutos e nem uma atmosfera lúdica e divertida. Se respeitarmos o ritmo da criança e o seu tempo para se preparar para interagir, podemos perceber que muitas vezes, quando estamos sentindo que o ambiente está ficando favorável e surge um contato de olho, um sorriso ou um toque.....a terapia acaba! E outra criança está a sua espera.  A troca da quantidade de pacientes pela qualidade da terapia foi fundamental para os resultados positivos.
O terapeuta atua como um facilitador, oferecendo oportunidades, capacitando a criança a explorar pensamentos e sentimentos em um ambiente seguro e provendo recursos que a criança identifique como necessários. São importantes o desenvolvimento da auto valorização e a sensação de controle da situação.
A criança é encorajada a dirigir sua própria terapia, as brincadeiras e atividades são escolhidas por ela e devem ter significado para ela.
Nessa abordagem é fundamental que o terapeuta não exerça poder sobre a criança, e é preciso assegurar que o controle será dado á ela, mesmo ás custas de uma lenta tomada de decisão. Novamente como facilitador, o terapeuta promove oportunidades e informações para ajudar a criança decidir aquilo que deseja e então organizar os recursos ou intervenção para que isso seja alcançado.
Outra e muito importante mudança que percebo nos dias de hoje é a participação dos pais nesse processo de tratamento de seus filhos.
Não são mais os profissionais que estão com o saber, o saber está cada vez mais com as famílias que nos oferecem o genuíno dossiê de como seu filho aprende, como seu filho sente, como seu filho reage, como seu filho se diverte.
E cabe a nós profissionais adiar o julgamento e pensar junto, interpretar esses dados, associar  com o nosso conhecimento e experiência e desenvolver um programa de tratamento criativo, dinâmico,  divertido e viável para cada família e  não impor planejamentos engessados.
Na TO, temos tanto a ensinar mas se a criança não estiver interessada, nada teremos...
Estabelecer os desafios, os objetivos e as ações e embarcar nessa viajem de amar incondicionalmente, amar é uma viajem a ser feita com alguém na qual, ao mesmo tempo em que curtimos essa entrega, desvendamos os mistérios que ela nos apresenta a cada momento.



SoniaFalcaoSonia Aparecida Falcão é terapeuta ocupacional (TO), especialista em Saúde Mental da Criança e do Adolescente, atua numa abordagem relacional humanista, fundou o Programa Realizza com “Férias mais Divertidas” e “Autismo Encanta". Coordena MBA em Gestão de Pessoas, telepresencial da rede LFG/Anhanguera. E-mail:  autismoencanta@gmail.com

28 de fevereiro de 2011

Educação e Linguística

Falta dar ouvido ao surdo

Ensino de escrita a deficiente auditivo precisa ser revisto no Brasil, defendem linguistas. Despreparo da escola para lidar com esse aluno especial prejudica aprendizagem.
Por: Célio Yano
Publicado em 28/02/2011 | Atualizado em 28/02/2011
Falta dar ouvido ao surdo
A comunicação por sinais é a língua materna dos surdos, que, para compreender as informações grafadas à sua volta, acabam por ter que aprender a ler e escrever em português. (foto: Julia Freeman-Woolpert/ Sxc.hu)
Aprender a expressar e interpretar frases em português parece tendência natural a qualquer pessoa que nasce em meio a falantes do idioma. Não para o surdo, que, desconhecedor de fonemas, tem como língua materna a comunicação por sinais – e não o português.
Por isso, o processo de letramento de deficientes auditivos deve ser diferente daquele que se pratica com ouvintes. Mas as escolas brasileiras não estão preparadas para essa distinção. A consequência é o prejuízo de aprendizado de alunos surdos ao longo de toda a formação escolar.
A questão foi discutida no VII Congresso Brasileiro de Linguística, realizado de 9 a 12 de fevereiro em Curitiba (PR). No evento, foram apontados modelos de ensino que poderiam minimizar as dificuldades enfrentadas por surdos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 3,4% da população do país apresentam algum nível de surdez.
Língua Brasileira de Sinais
Letras e números da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Embora seja comum a vários idiomas, o alfabeto latino é representado por sinais diferentes em cada país. (imagem: Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos)
A linguista Heloísa Salles, da Universidade de Brasília, entende que a premissa básica para o ensino da escrita a deficientes auditivos é reconhecer que os surdos brasileiros formam uma comunidade à parte, que, embora não tenha território próprio, conta com língua e cultura distintas das dos demais cidadãos.
Diferente do que muita gente pensa, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) não é mera representação do português por meio de gestos. Trata-se, na verdade, de uma língua independente, com vocabulário e gramática próprios e que – vale notar – não guarda qualquer relação com a Língua Gestual Portuguesa, utilizada em Portugal.
Assim como o português, a Libras é considerada oficial no Brasil, mas seu uso fica restrito a deficientes auditivos e a pessoas à sua volta. Como o idioma não possui forma escrita, os surdos brasileiros, cercados por informações grafadas em português, acabam por ter o bilinguismo – que é opcional para a maior parte das pessoas – como conhecimento inevitável.


A importância da palavra

Uma criança ouvinte aprende a ler e a escrever geralmente por meio da associação de letras e sílabas aos fonemas que cada sinal gráfico representa. Como o deficiente auditivo é incapaz de encontrar correspondência entre imagem e som, o ensino deve considerar palavras – e não letras ou sílabas – como unidades mínimas de significado, defende a linguista Sueli Fernandes, coordenadora do curso de graduação em Letras/Libras da Universidade Federal do Paraná.
A atual prática de ensino da rede pública torna os portadores de surdez incapazes de acompanhar o nível de escolaridade dos demais colegas
Assim, os surdos devem ser letrados, embora não alfabetizados, em português. “É como um falante de português aprender a reconhecer o significado de ideogramas chineses sem saber pronunciá-los”, explica a pesquisadora, especialista no ensino de português como segunda língua para surdos.
Recentemente, Fernandes acompanhou o letramento de estudantes de ensino médio na região de Curitiba e observou que a atual prática de ensino oferecida na rede pública torna os portadores de surdez incapazes de acompanhar o nível de escolaridade dos demais colegas.
A desigualdade em relação aos outros estudantes é grande, tanto no aprendizado de língua portuguesa quanto no de outras disciplinas, já que o surdo não entende plenamente o idioma em que o conteúdo das aulas é escrito.


Vantagem cognitiva

Segundo a linguista Evani Viotti, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), o bilinguismo dos surdos é visto no Brasil em geral como um problema, quando, na verdade, o conhecimento de duas línguas por deficientes auditivos é uma vantagem cognitiva.
Um exemplo prático da afirmação foi demonstrado em uma experiência realizada na USP em 2003 com o filme A história da pera, que em seis minutos mostra uma série de eventos, alguns em sequência, outros simultâneos, com graus diferentes de relevância. Um voluntário surdo precisou de apenas 30 sinais para descrever o vídeo em Libras. Um falante de português, por sua vez, usou 150 palavras em sua redação.
O sistema educacional deve prever tanto o ensino da língua de sinais quanto o do português, além de usar correntemente as duas formas de comunicação na escola
A diferença é explicada pelo caráter quadridimensional da língua de sinais. Além das três dimensões de que a comunicação gestual pode se utilizar (profundidade, largura e altura), o tempo também integra a formação das estruturas frasais, o que não ocorre no texto escrito.
Por outro lado, a utilização exclusiva de Libras pode acarretar problemas para a criança surda que ingressa na escola no Brasil, uma vez que ela fica incomunicável diante de colegas que só compreendem o português.
A solução apontada pelas linguistas passa por uma mudança no atual sistema educacional, que deve prever tanto o ensino da língua de sinais quanto o da língua majoritária (no caso do Brasil, o português), além de usar correntemente as duas formas de comunicação na escola.
Os especialistas criticam a simples inclusão de intérpretes de Libras em sala de aula. “A legislação brasileira reconhece a Libras como língua oficial, mas esse reconhecimento não ocorre efetivamente na prática”, diz Viotti. E resume: “É preciso haver respeito à identidade cultural do surdo.”


Célio Yano
Ciência Hoje On-line/ PR
créditos, link aqui.